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Patrícia e Mário Fonseca descobriram a cherovia há cinco anos. Recebem-na em Sintra, vinda da Covilhã, e desenvolvem com ela produtos diferentes.

Cherovia, pastinaca sativaparsnip. Em cada mercado, Patrícia e Mário Fonseca têm sempre pelo menos um quadro sobre a banca com os três nomes, o português, o científico e o inglês, “para que as pessoas percebam que é tudo o mesmo”. Mas, dependendo das feiras, ainda encontram muita gente que nunca ouviu falar deste legume albino, que tem a forma da cenoura, a cor do nabo e um sabor doce e anisado que o distingue de todos os outros. Também eles, naturais de Sintra, só o descobriram há cerca de cinco anos.

“Sendo produzido em Portugal e mais antigo do que a cenoura e a batata, exige condições climatéricas específicas para se desenvolver, como temperaturas baixas e geada, por isso acaba por ser pouco conhecido e utilizado cá”, resumem. É cultivado sobretudo na zona da Cova da Beira e somente na região integra o receituário gastronómico tradicional. Foi lá que Patrícia e Mário provaram pela primeira vez a cherovia, expressão pela qual o legume é conhecido na região e que inspira o nome da empresa.

“Um amigo com raízes familiares na terra falou-nos do legume e nós tivemos curiosidade em saber mais. Descobrimos que havia um festival [da cherovia] na Covilhã e fomos até lá”, recordam. Provaram-na panada frita em azeite, “a forma mais típica dos covilhanenses a consumirem”, e a ideia de criar um projecto à base de cherovia nasceu logo ali. “Olhámos um para o outro, verificámos a pouca diversidade de produtos que existia e pensámos em tentar trabalhar o legume e apresentar alguma variedade do mesmo no ano seguinte”, contam. “Sempre gostámos de cozinhar e de fazer algumas brincadeiras lá em casa na área da cozinha e isso foi um pouco o que nos motivou.”

Primeiro apostaram nos doces, por ser “uma área completamente diferente” daquela que tinham encontrado no festival. Só de cherovia ou harmonizada com laranja, gengibre, goji, malagueta ou anis-estrelado. Depois, estenderam às queijadinhas, aos patés, aos pacotes de cherovia desidratada ou frita. “Consoante as solicitações fomos indo ao encontro do mercado”, recorda Patrícia. Na Feira Alternativa de Lisboa, por exemplo, um dia perguntaram-lhes por doces sem açúcar refinado. E daí veio a ideia de juntar à gama de produtos duas compotas adoçadas com geleia de arroz (cherovia com gengibre e com limão). Vendem ainda cherovia fresca, que trazem directamente da Covilhã. “Temos dois fornecedores na região e depois desenvolvemos os nossos produtos aqui em Sintra”, conta Mário. “A Covilhã é um lugar que não nos é nada mas que passou a ser tudo neste momento.”

Mário, 48 anos, trabalha na área da restauração e Patrícia, 45, no sector da saúde. A Cherosabor ocupa-lhes grande parte do tempo que sobra, entre produção, desenvolvimento de novos produtos e participação em feiras e mercados. “No mínimo, três por mês, sendo que no Verão e no Natal temos mais solicitações.” Mas ainda não chega para trabalhar a marca como gostavam nem arriscar deixarem os empregos para se dedicarem a ela a 100%. “Não queremos começar pelo telhado”, defende Patrícia. “Espero que não demore mais cinco anos para chegarmos ao nosso grande objectivo, mas estamos a trabalhar para isso, devagar, devagarinho”, acrescenta Mário. A meta? “A exportação. Que se fale da cherovia lá fora, mas com uma marca e um produto nacionais.”

Mara Gonçalves (Texto) e Miguel Manso (Fotos) 

Revista Fugas – 11 de Novembro de 2017